Gerenciado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), hemocentro adota rigoroso protocolo de fracionamento, exames laboratoriais e controle de temperatura antes do envio das bolsas às unidades de saúde.
Quando uma bolsa de sangue de aproximadamente 450 ml é coletada no Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap), mantido pelo Governo do Estado, o gesto do doador é apenas o primeiro passo. A partir da coleta, a unidade inicia uma série de procedimentos técnicos para transformar a doação em insumos seguros para os pacientes.
Na sala de coleta, cada bolsa e suas amostras recebem um código de barras exclusivo que garante a rastreabilidade anônima durante todo o circuito.
"Quando o doador finaliza a coleta, começa o papel do hemocentro de transformar esse sangue. Durante esta etapa, cumprimos critérios muito rigorosos de segurança estipulados pela Anvisa e pelos órgãos regulatórios do nosso país", destaca a diretora técnica do Hemoap, Hellen Bittencourt.
Fracionamento e exames
No laboratório, o sangue passa por etapas de centrifugação de poucos minutos para ser separado em até quatro hemocomponentes: concentrado de hemácias, plasma, concentrado de plaquetas e crioprecipitado. Todo esse fracionamento precisa ocorrer dentro de até oito horas após a coleta, garantindo que componentes como o plasma preservem seus fatores de coagulação ativos. Cada item atende a uma necessidade médica específica, como anemias severas, cirurgias, hemorragias ou tratamentos quimioterápicos.
Em paralelo, as amostras passam por exames no Hemoap para detecção de infecções como hepatites B e C, HIV, HTLV, doença de Chagas, sífilis e malária, além de testes de tipagem sanguínea e controle de qualidade. Diariamente, uma das amostras é enviada ao Hemopa, em Belém (PA), para a realização do teste de biologia molecular (NAT), reforçando a segurança do material.
Armazenamento e distribuição
A conservação varia conforme o hemocomponente: as hemácias ficam refrigeradas por até 42 dias; as plaquetas exigem agitação constante entre 20 °C e 24 °C com validade de 5 dias; já o plasma e o crioprecipitado são congelados, podendo durar até um ano.
Hellen Bittencourt ressalta que a liberação final para os hospitais ocorre somente após a conclusão de todas as análises laboratoriais e do controle de qualidade. "Todo esse processamento dura em torno de 48 horas. Só após essa análise dos resultados do laboratório e do controle de qualidade que o hemocomponente é aprovado para ser liberado para as agências transfusionais dentro dos hospitais", conclui a diretora.
Serviço
O Hemoap funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h30, na Av. Raimundo Álvares da Costa, esquina com a Rua Jovino Dinoá, no Centro de Macapá. Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar bem alimentado e apresentar documento oficial com foto.
Fonte: Sávio Almeida/Ascom-SESA. Imagem: Gabriel Maciel/Ascom-SESA.
Comentários